Projeções ortogonais / Vistas ortográficas (cortes e hachuras)

1.      INTRODUÇÃO

 

Este trabalho de pesquisa tem como objetivo abordar projeções ortogonais, vistas ortográficas, cortes e hachuras, representar graficamente, em um plano,uma figura localizada no espaço,ou seja,transcrever no papel as dimensões de uma figura,permitindo sua construção.

A partir do século XVIII, com o aperfeiçoamento das máquinas e sistemas mecânicos, o consequente aumento da complexidade dos seus mecanismos internos, linhas de produção, a necessidade de montagem e manutenção, da reposição de peças, da fabricação local de peças de reposição (longas distâncias inviabilizavam o envio de peças de reposição), entre outras inúmeras necessidades, levaram os projetistas a desenvolver uma técnica de desenho que se afastaria em definitivo do esboço artístico, muitos desenhos somente em perspectiva, para o desenho projetivo cilíndrico baseado na Geometria Descritiva, sistema desenvolvido pelo matemático francês Gaspard Monge no Século XVIII (Anexo – Figura1, 2, e 4).


1.      PROJEÇÕES ORTOGRÁFICAS

 

2.1.Fundamentação Teórica

 

“A Geometria é o ramo da Matemática que se propõe a estudar as figuras existentes na natureza através das propriedades de seus elementos, definindo, caracterizando e padronizando suas formas e dimensões, facilitando assim seu próprio desenvolvimento e o de outras áreas do conhecimento científico e tecnológico.” (RABELLO, P.S.B., 2005).

Pré-requisito para o estudo das Projeções Ortogonais é o estudo da Geometria Descritiva. Os fundamentos do estudo do ponto e da reta no sistema mongeano são um facilitador para obter o entendimento do posicionamento das retas no espaço e suas respectivas projeções nos planos π e π’, eventualmente o π’’ e posteriormente ver a épura resultante e os planos de perfil. É baseado neste sistema, que ocorrem as Projeções Ortogonais, onde as vistas são projetadas sobre planos de projeção. Considere dois planos de projeção, ortogonais entre si. Um é vertical outro horizontal. Os planos dividem o espaço em quatro regiões, denominadas diedros.

 A projeção ortográfica é o método de representar a forma exata de um objeto por meio de duas ou mais projeções do objeto sobre planos que, em geral, estão em ângulo reto entre si baixando-se perpendiculares do objeto ao plano. O conjunto das vistas sobre esses planos descreve totalmente o objeto.” (FRENCH, T.E.; VIERCK, C.J. ,1985).

Uma das etapas mais importantes para a formação do engenheiro é capacitá-lo no processo de ler e escrever em desenho projetivo. O processo é simples, e a execução igualmente simples, os contornos que dão forma ao objeto são projetados sobre uma superfície de projeção, a dificuldade surge quando o objeto tem mais de uma elevação, em relação à superfície de projeção, ou está inclinado ou tem forma cilíndrica. O sistema de projeção consiste em um ponto de luz colocado no infinito que ”ilumina” uma das superfícies a ser projetada. Esta primeira superfície será denominada de Vista Frontal (é mais importante, que contém o maior número das características físicas de identificação da peça). As demais vistas são denominadas Lateral e Superior. Uma peça simples, de fácil interpretação, é apresentada em perspectiva isométrica, tendo suas faces formando ângulos de 90 graus entre si.


1.      VISTAS ORTOGRÁFICAS

 

3.1. Princípios

 A princípio é escolhida uma face da peça como uma face “principal”, no qual será denominada como “vista frontal”. A denominação de “frontal” pode ser a frente real da peça, ou caso não haja esta referência, a vista frontal será a vista que apresentará a peça com mais detalhes.

Desenho Projetivo é aquele que resulta de projeções do objeto sobre um ou mais planos que se fazem coincidir com o do próprio desenho. Este tipo de desenho pode ser: Vistas Ortográficas: figuras resultantes de projeções cilíndricas ortogonais do objeto, sobre planos convenientemente escolhidos de modo a representar, com exatidão, a forma deste objeto com seus detalhes. Perspectivas: figuras resultantes de projeção cilíndrica ou cônica sobre um único plano, com a finalidade de permitir uma percepção mais fácil da forma do objeto. O fundamento teórico para a representação através de vistas ortográficas tem origem nos conceitos de Geometria Descritiva, em que planos de projeções perpendiculares se interceptam e formam o “paralelepípedo de referência”.

Nestas vistas devido à projeção ortogonal, as arestas assim como todos os detalhes contidos as faces do objeto são representadas em verdadeira grandeza. A verdadeira grandeza é este a principal vantagem deste tipo de representação em relação às perspectivas, além da fácil representação. Não é necessário utilizar seis vistas para representar objetos relativamente simples, geralmente utilizam-se apenas três vistas (superior frontal e lateral). Esta combinação pode variar e no trabalho prático a escolha da combinação das vistas é fundamental para descrever da forma mais clara e econômica o objeto.  As vistas ortográficas são figuras representativas de uma projeção cilíndrica ortogonal de um objeto sobre um plano, devendo ser realizada de modo a deixar nítida a forma do objeto e seus detalhes. A projeção ortogonal é uma representação bidimensional de um objeto tridimensional. De acordo com a norma (NBR 10647) as vistas principais de uma peça qualquer são as seis vistas que se projetam no paralelepípedo de referência: frontal, lateral direita, lateral esquerda, inferior, superior e posterior.

A vista frontal será a parte central do desenho, com todas as outras vistas em volta dela. Nos lados teremos as vistas, “lateral esquerda” e “lateral direita”, sempre de acordo com o diedro escolhido. Da mesma forma, na parte vertical teremos as vistas “superior” e “inferior”. Na extrema direita (ou esquerda) do desenho, teremos finalmente nossa vista posterior (ou traseira), fechando as seis vistas ortogonais principais. 


3.1.1. Vértices, lados e faces

 

Ao desenhar as vistas de uma peça, veremos que cada vista irá mostrar somente duas dimensões do objeto (largura e comprimento, comprimento e altura, etc). E que entre cada vista haverá uma dimensão em comum. Por isso, é costume desenhar as vistas alinhadas entre si – não é uma obrigação, pois a figura pode não caber no papel - mas as vistas alinhadas torna a leitura do desenho mais fácil. Veremos que existirão faces que serão vistas como uma linha, caso esta face seja ortogonal (paralela a um dos planos de projeção). Existirão também lados (linhas) que serão vistas como pontos, quando vistas de frente.

 

3.1.2. Linhas ocultas

 

Em muitos casos, haverá detalhes da peça que não são vistos normalmente. Detalhes internos, furos, ranhuras; mas que devem ser informados para que o projeto seja compreendido.

Para isso, são usadas linhas tracejadas, na mesma espessura das linhas principais da peça, que indicam que existe um detalhe interno, ou do outro lado da peça, oculto por uma face.

  

3.1.3. Escolha das vistas

 

Fica para o desenhista escolher as melhores vistas para ilustrar a peça. Em geral, o uso de três vistas será suficiente, mas podem ocorrer casos particulares. Ás vezes uma peça cilíndrica pode ter duas vistas iguais, logo pode-se omitir uma das vistas. Uma cunha, por exemplo, pode ter uma das vistas em que nada acrescenta. Uma chapa de metal, sem maiores detalhes nas vistas, lateral e frontal, pode ter somente uma vista superior, e o projetista indica a espessura da peça na legenda. Da mesma forma, uma peça com muitos detalhes pode demandar o uso de 4, 5 ou até 6 vistas. Mesmo com o uso de somente três vistas (frontal, superior e lateral) pode haver uma confusão de linhas ocultas, que dificultará a leitura do desenho.

 

3.1.4. Vistas auxiliares

 

Usado para ilustrar faces fora dos planos ortogonais, no caso de faces inclinadas, as vistas auxiliares serão vistas no próximo capítulo.

 

3.1.5. Vistas especiais

 

Outros recursos são usados para ilustrar todos os detalhes do projeto, como por exemplo, as vistas em corte. Estes recursos serão vistos mais adiante.

   

3.1.6. Linhas de Eixo e de Simetria

 

É importante no projeto e execução de uma peça a localização de seus pontos médios e centros de arcos e circunferências. Estas linhas em geral são os primeiros traços de um desenho, e ambas são representadas por uma linha do tipo traço-e-ponto, estreita. No seu traçado, estas linhas ultrapassam levemente o desenho da peça. Deve-se desenhar uma linha de eixo ou simetria: - Em qualquer peça simétrica, como por exemplo, um cilindro ou cone, inclusive em partes ocultas, como furos.

- No centro de circunferências, de preferência marcada com duas linhas ortogonais.

 

3.2. Cortes

    Cortes são representações gráficas constituídos por vistas ortográfica seccional do tipo corte obtidas quando fazemos passar por uma edificação, planos secantes e projetantes verticais, normalmente paralelos a um determinado conjunto de paredes, em posicionamento estrategicamente definidos. Os cortes são elaborados para a representação de elementos internos à edificação e de elementos que se desenvolvam em altura, e que, por conseqüência não são representados em planta baixa. Seus posicionamentos e orientações (sentido da vista) são determinados objetivando representar os elementos da edificação de maior importância e/ou complexidade. Em geral, são realizados no mínimo dois cortes, um longitudinal (acompanhando a maior dimensão da edificação) e outro transversal (acompanhando a menor dimensão da edificação). Mas devem ser feitos tantos cortes quanto o necessário para representar inequivocamente os elementos da edificação não apresentados em planta baixa.

 

 

3.2.1. Posicionamento dos Cortes

 

Os planos de corte são posicionados pela presença de: pésdireitos variáveis, esquadrias especiais, barreiras impermeáveis, equipamentos de construção, escadas, elevadores, planos de cobertura, etc. Recomendase também sempre que possível passálos pelas áreas molhadas (banheiros, cozinhas, áreas de serviço, etc). O sentido de observação depende do interesse de visualização, procurandose estabelecêlo de forma a representar o maior número de elementos construtivos possíveis, e/ou, elementos especiais. A localização dos planos de corte e o sentido de visualização devem estar indicados nas plantas baixas, de maneira a permitir sua perfeita interpretação. O corte consiste na visualização da construção, após a mesma ter sido cortada por um plano vertical e retirada a parte anterior. Tem por finalidade apresentar as várias alturas de um prédio , tais como pé direito, altura de janelas e portas, altura de peitoris, vigas, vergas, etc. Além disso, através dos cortes apresentamos os principais detalhes das fundações, lajes, coberturas e outros.

 

3.2.2. Corte total

 

A representação do corte é exatamente imaginar que a peça encontra-se partida ou quebrada, mostrando assim os detalhes internos. Com isso, deixa de ser necessário o uso de linhas ocultas, na maioria dos casos. Imagina-se o corte como um plano secante, que passa pela peça, separando-a em dois pedaços e mostrando a parte interna. O plano secante (também chamado plano de corte) é indicado em outra vista, mostrando aonde se encontra o corte. A representação do plano de corte é com um traço estreito traço-e-ponto, exatamente como a linha de simetria, com a diferença de ter nas extremidades um traço largo. O plano de corte deve ser identificado com letras maiúsculas e o ponto de vista indicado por meio de setas. A parte larga do plano de corte não encosta no desenho da peça. A linha de corte pode coincidir com a linha de simetria.

Ao realizar-se o corte de duas peças distintas, usa-se hachuras com direções diferentes, cada uma indicando uma peça. Caso haja um maior número de peças em corte, pode-se usar hachuras com espaçamentos ou ângulos diferentes, ou usar outros tipos de desenho de hachura. Em geral reserva-se as hachuras estreitas para pequenas peças, e vice-versa. Ao cortar peças muito estreitas, a hachura pode ser substituída por um preenchimento em preto, usando-se linhas brancas para separar partes contíguas, caso seja necessário. Em geral, nos cortes não são hachurados dentes de engrenagem, parafusos, porcas, eixos, raios de roda, nervuras, pinos, arruelas, contrapinos, rebites, chavetas, volantes e manípulos. Isto é uma convenção, fazendo com que sejam evidenciadas partes mais importantes da peça. Pode-se hachurar estas partes caso tenham detalhes pouco usuais (por exemplo, um furo interno a um parafuso).


3.2.3. Meio-corte

 

Usado em objetos simétricos, no qual corta-se somente metade do desenho, sendo a outra metade o desenho da vista normal. As linhas invisíveis de ambos os lados não são traçadas. Usa-se também combinar o meio-corte com a meia-vista, tornando o desenho bem prático sem perder informação.

 

3.2.4. Corte parcial

 

Quando se deseja cortar somente uma parte da peça, usa-se o corte parcial. O corte é limitado por uma linha de interrupção (irregular ou em zig-zag).

 

3.2.5. Corte em desvio

 

Usa-se o corte em desvio para obter os detalhes que não estejam sobre uma linha contínua. Neste caso o plano de corte é “dobrado”, passando por todos os detalhes desejados. Cada vez que o plano de corte muda de direção, este é indicado por um traço largo, de forma similar às extremidades.

  

1.1.   Hachuras

 

Nos desenhos das fachadas as hachuras são utilizadas para indicarem as texturas de materiais tais como tijolo a vista, concreto, vidro, grama, pedra, etc. Deve-se escolher padrões de hachuras que melhor represente dos diferentes tipos de materiais e definir corretamente a escala de sua aplicação (tamanho e/ou distanciamento dos elementos da hachura).

São usadas para representar cortes de peças. A hachura básica consiste em um traço estreito diagonal (em 45°), com um espaçamento constante.


1.      CONCLUSÃO

 

O trabalho de pesquisa mostrou que é necessário que um estudante de edificações, necessita esta a par de todos os termos técnicos referente às normas técnicas que regem a área de desenho. Pois, através disso, o futuro profissional poderá aprovar seus projetos em órgãos municipais, estaduais e federais, evitando assim o retorno do referido trabalho devido a imprecisões ou falhas de normatização, evitando assim um retrabalho e gastos maiores com os referidos órgão nacionais.




 REFERÊNCIAS:

 

BACHMANN, A. e FORBERG, R. - DESENHO TÉCNICO - Porto Alegre - Editora
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CYRILLO, L. F. e SAFADI, R. S. - COLETÂNEA PROJETOS DE 100 a 200 m2
Casa Dois Editora - São Paulo.


 FERLINI, P. de B. - NORMAS PARA O DESENHO TÉCNICO - Rio de Janeiro
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 FRENCH, T.E. - DESENHO TÉCNICO - Porto Alegre - Editora Globo
MACHADO, A. - O DESENHO NA PRÁTICA DA ENGENHAIRA - SP - Ed.
Cupolo Ltda.


MONTENEGRO, G.A. - DESENHO ARQUITETÔNICO - SP - Ed. Edgard Blucher
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 NEIZEL, E. - DESENHO TÉCNICO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL - SP - Vol I
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NEUFERT, E. - ARTE DE PROJETAR EM ARQUITETURA - Barcelona - Ed.
Gustavo Gilli.


OBERG, L. - DESENHO ARQUITETÔNICO - SP - Editora Ao Livro Técnico AS.


POLETI, E. R. - DESENHO TÉCNICO - Apostila Técnica - CESET – Unicamp.


SCHAARWATER, G. - PERPECTIVAS PARA ARQUITETOS - Barcelona - Ed.
Gustavo Gilli.


MONTENEGRO, Gildo. DESENHO ARQUITETÔNICO. 4º edição. São Paulo: Edgard Blücher, 2001.



ANEXOS

INTRODUÇÃO